Nelson Mandela foi o presidente considerado herói nacional na
África do Sul, que conquistou um respeito mundial pela sua luta contra o regime
racista do “apartheid”. Ele é chamado carinhosamente de Madiba (o nome de seu
clã Xhosa). É respeitado principalmente por sua busca perseverante, baseada
em princípios de justiça e não na violência.
Começou desde jovem sua resistência ao regime do
“apartheid”, foi preso muitas vezes por seu envolvimento em manifestações
pacíficas contra o governo. Em 1961 viajou como motorista pelo país mobilizando
as comunidades negras para uma greve geral no dia 29 de maio e envolveu-se
secretamente na organização de “Umkhuntu we Siswe” que realizou ataques contra
o governo. Assim em 1962 foi preso e condenado à prisão perpétua, e ficou na
prisão por 27 anos, até 1982 em Robben Island, depois em outras prisões.
Assistia cultos cristãos na prisão. Começou a fazer curso de direito à
distância e apesar de ser impedido várias vezes de continuar (por castigo,
quando percebiam que estava escrevendo sua autobiografia) conseguiu se formar.
Foi liberto após muita pressão internacional, em 1990. Junto com F.W. de Klerk
organizou as primeiras eleições multirraciais e foi eleito presidente em 1994
até 1999, um governo de Unidade Nacional.
Apesar de sua luta constante contra o “apartheid”,
Mandela não alimentou o ódio, mas procurava negociar com os líderes dos
partidos dos brancos. Em 1993 recebeu o Premio Nobel da Paz. Procurou encorajar
a comunidade branca a confiar nele, falando com o bispo anglicano Desmond Tutu
da “Rainbow Nation” – a nação de todas as cores. Ele deu força ao time de rúgbi
“Springbok”, encorajou-os no campeonato mundial em 1995 e pessoalmente entregou
o troféu de vencedor ao capitão africâner François Pienaar, o que lhe fez
conquistar o apoio de muitos brancos.
Organizou a Comissão de Verdade e Reconciliação
para trazer à luz os crimes cometidos pelo governo e pela ANC durante o período
do “apartheid”.
Como presidente, realizou medidas para uma reforma
agrária, combate à pobreza e expansão do cuidado à saúde oferecido a todas as
mulheres e crianças. Durante seu governo, dois milhões de pessoas tiveram
acesso à eletricidade. Foram construídas casas populares para três milhões de
pessoas e esse número teve então acesso à água potável. Um e meio milhão de
crianças tiveram acesso à educação. Criou a Nelson Mandela Foundation, para
combate à pobreza e HIV/AIDS. Gastava 1/3 de sua renda anual para socorrer as
crianças pobres. Não resolveu todos os problemas do país, que continua sendo um
país com alto índice criminal e onde HIV/AIDS cresceu muito.
É um milagre a transferência do poderoso e muito
bem armado governo do “apartheid” para um regime democrático com liberdade para
todos os moradores da África do Sul, em maioria negros oprimidos. Esperava-se
uma luta violenta, com muito derramamento de sangue, o que não aconteceu. As
igrejas se mobilizaram para orar, orar e orar. E houve cristãos muito corajosos
que organizaram debates entre líderes de diferentes partidos, em lugares isolados,
com a presença de uma equipe cristã bem preparada, levando os assuntos com
muita oração e busca de respeito e justiça. Mas isso funcionou porque Mandela e
outros estavam sensíveis e dispostos a cooperar.
O que podemos aprender com Nelson Mandela?
1. Não se deixar dominar por ressentimentos ou
pela autopiedade, por mais que tenha motivos.
2. Não perder de vista o objetivo de lutar pela
dignidade e pelos direitos humanos para a população negra da África do Sul.
3. Não perder a esperança.
4. Quando surgiu a possibilidade de uma cooperação
com respeito mútuo, Mandela desenvolveu bons relacionamentos com líderes
brancos.
5. Ele tinha amigos ricos e importantes em vários
países, mas sempre procurava conversar com os empregados dos mesmos,
mostrando-lhes respeito.
Há dois filmes muito bons que retratam a vida e
luta de Nelson Mandela “Luta pela Liberdade” e “Invictus”. Vale a pena ver.
Sua autobiografia está em “Longo Caminho para a
Liberdade”, um livro excelente e muito bem escrito. Outro é “Nelson Mandela, uma
Lição de Vida”, de JackLang. E há o diário de Mandela, compilado por Richard
Stengel, chamado “Os caminhos de Mandela, lições de vida, amor e coragem”, e
outro de Antonio Mateus “Mandela, a Construção de um Homem”. Vale a pena
conhecer as lutas e a vida de um dos maiores heróis de nossa época.

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